Em uma caixa de aviamentos, havia um botão quadrado que se chamava Sol. Metido como só, achava que o mundo girava ao seu redor.
Todos os dias, Dona Agulha lhe perguntava que horas eram, pois era muito pontual e não gostava de se atrasar quando começava a escrever. Mas com suas quatro narinas mais empinadas que pipa no verão, Sol sempre permaneceu em silêncio e nunca respondeu. Se sentia incomodado com tantas perguntas.
Quanto mais era ignorada, mais a agulha escrevia.
Escrevia de madrugada, e de manhã escrevia.
Escrevia tanto que já nem sabia se era noite ou se era dia.
Como poderia um botão com nome de astro rei pensar brilhar mais que glitter?
E escrevia de novo, com letras cursivas mais constantes e contínuas que linha de carretel: "Escrevo as palavras com a ponta da minha língua, pois se não inventarem uma borracha de sentimentos, o que eu escrevo vai durar para sempre".
O Senhor Fivela já nem dava bola, pois já passou por apertos piores na vida, e sabia que botões não têm coração. Mas sentindo muita pena, foi consolar a Dona Agulha.
“Que tal fazer um coração de zíper e entregar para o Sol? Quando ele estiver fechado, a gente abre quando quiser e assim talvez ele consiga conversar!”, pensou.
Então o fizeram. Mas ao abrir o coração do botão, eles descobriram que Sol não era metido, mas sim triste desde o dia em que percebeu que o sol que originou seu nome não é quadrado como pensava ser.

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