Cartas de um elétron positivo.
24 de junho de 2011
Sobre a chuva
Quando o céu resolve limpar os pensamentos, ele contrata a chuva para lavar o ar, e quando tudo fica limpo, sobra espaço para pensar.
Como pode?

Como pode haver vida
se ruína há como intenção
pois se morre enquanto vive
tendo o mal como razão
Como pode a mídia inteira
atingir uma nação
onde a tragédia vive à beira
de aumentar destruição
Como pode deitar sórdida
a indiferença na aflição
falta filtro, falta verdade
ao transmitir informação
Como pode esse interesse
às vistas da televisão
condenar loucos, julgar cegos,
seres sem informação
Como pode essa astenia
dominar forças de evolução
chora o vento, deita a agonia
a clamar por educação
Como pode? Eu não entendo...
Mas escrevo de coração.
28 de agosto de 2010
17 de maio de 2010
O uso da vida
A vida é um presente que recebemos para usar:
quanto mais tempo guardada, menos tempo ela existe.
quanto mais tempo guardada, menos tempo ela existe.
A difícil facilidade
Se não fosse complicado facilitar o difícil
o quão simples é dificultar o fácil,
a vida teria menos desperdícios
e a felicidade seria tátil.
o quão simples é dificultar o fácil,
a vida teria menos desperdícios
e a felicidade seria tátil.
Descobrindo sua alma
Um ensejo de pensar interior,
desvelou ao homem valores,
demonstrando espectáveis labores
entre tanta vivência e dor.
Um momento vítreo e bendito,
informa ao efêmero terreno,
que mais vive o ser ameno
flutuando em paz no infinito.
desvelou ao homem valores,
demonstrando espectáveis labores
entre tanta vivência e dor.
Um momento vítreo e bendito,
informa ao efêmero terreno,
que mais vive o ser ameno
flutuando em paz no infinito.
17 de dezembro de 2008
Família Texto
15 de dezembro de 2008
O brilho de um Sol quadrado
Em uma caixa de aviamentos, havia um botão quadrado que se chamava Sol. Metido como só, achava que o mundo girava ao seu redor.
Todos os dias, Dona Agulha lhe perguntava que horas eram, pois era muito pontual e não gostava de se atrasar quando começava a escrever. Mas com suas quatro narinas mais empinadas que pipa no verão, Sol sempre permaneceu em silêncio e nunca respondeu. Se sentia incomodado com tantas perguntas.
Quanto mais era ignorada, mais a agulha escrevia.
Escrevia de madrugada, e de manhã escrevia.
Escrevia tanto que já nem sabia se era noite ou se era dia.
Como poderia um botão com nome de astro rei pensar brilhar mais que glitter?
E escrevia de novo, com letras cursivas mais constantes e contínuas que linha de carretel: "Escrevo as palavras com a ponta da minha língua, pois se não inventarem uma borracha de sentimentos, o que eu escrevo vai durar para sempre".
O Senhor Fivela já nem dava bola, pois já passou por apertos piores na vida, e sabia que botões não têm coração. Mas sentindo muita pena, foi consolar a Dona Agulha.
“Que tal fazer um coração de zíper e entregar para o Sol? Quando ele estiver fechado, a gente abre quando quiser e assim talvez ele consiga conversar!”, pensou.
Então o fizeram. Mas ao abrir o coração do botão, eles descobriram que Sol não era metido, mas sim triste desde o dia em que percebeu que o sol que originou seu nome não é quadrado como pensava ser.
Todos os dias, Dona Agulha lhe perguntava que horas eram, pois era muito pontual e não gostava de se atrasar quando começava a escrever. Mas com suas quatro narinas mais empinadas que pipa no verão, Sol sempre permaneceu em silêncio e nunca respondeu. Se sentia incomodado com tantas perguntas.
Quanto mais era ignorada, mais a agulha escrevia.
Escrevia de madrugada, e de manhã escrevia.
Escrevia tanto que já nem sabia se era noite ou se era dia.
Como poderia um botão com nome de astro rei pensar brilhar mais que glitter?
E escrevia de novo, com letras cursivas mais constantes e contínuas que linha de carretel: "Escrevo as palavras com a ponta da minha língua, pois se não inventarem uma borracha de sentimentos, o que eu escrevo vai durar para sempre".
O Senhor Fivela já nem dava bola, pois já passou por apertos piores na vida, e sabia que botões não têm coração. Mas sentindo muita pena, foi consolar a Dona Agulha.
“Que tal fazer um coração de zíper e entregar para o Sol? Quando ele estiver fechado, a gente abre quando quiser e assim talvez ele consiga conversar!”, pensou.
Então o fizeram. Mas ao abrir o coração do botão, eles descobriram que Sol não era metido, mas sim triste desde o dia em que percebeu que o sol que originou seu nome não é quadrado como pensava ser.
5 de fevereiro de 2007
Fusolino sedentário

Fusolino não gostava de esportes, pois transpirar lhe enferrujava. Seu sedentarismo era conhecido por todos na vila dos parafusos.
Certo dia, enquanto repousava na sua casa de ferramentas, Fusolino foi chamado para uma reunião com a embaixada das chaves de fenda, onde recebeu uma solicitação de serviço imposta pelo Governo dos Metais.
Entre óxidos e fluidos, a maldição da chave de fenda o fez tremer na base. Para Fusolino, o resultado do trabalho seria um tanto estonteante.
Jurou nunca mais dedicar seu suor ao trabalho. Sentindo-se como um pião, mas afiado como a ponta de uma faca, enterrou-se na madeira com a maior cara de pau. Ali permaneceu durante décadas. Brando, aferrado, mas feliz.
Um dia seu repouso foi descoberto por um tal General Esmeril. Fusolino olhou para o céu, notou uma faísca cadente e desejou reencarnar em sua próxima vida como macarrão.
22 de janeiro de 2007
A paixão
Paixão é uma forma sem forma de se abraçar o invisível.
Não a vemos, porém sentimos. E ao sentí-la, sonhamos acordados e escrevemos versos sem palavras.
9 de janeiro de 2007
A Chave
Feita de ferro fosco, sou só uma lata velha
Ao cheiro de maçaneta, meu mundo se assemelha
Ou paro no meu canto, ou boto algo a começar
Se a tranca abre logo, faço o mundo girar
Minha cabeça é chata, moro lá no Ceará
Posso até não ter dinheiro, mas já tenho meu lugar.
Ao cheiro de maçaneta, meu mundo se assemelha
Ou paro no meu canto, ou boto algo a começar
Se a tranca abre logo, faço o mundo girar
Minha cabeça é chata, moro lá no Ceará
Posso até não ter dinheiro, mas já tenho meu lugar.
Pequeno grande sonhador
Gostaria de um dia ser grande. Não tão alto como o Everest, nem baixo como o hidrante da esquina. Queria inventar alguma coisa útil, seja um abridor de mares ou um encolhedor das margens de um rio, para ir de um lado até o outro e voltar quando quiser.Não penso em ser quadrado como a colcha de retalhos da casa da minha bisavó, nem redondo como a lua cheia de chocolate e parecer uma bolacha com crateras. Não quero ser par-ou-ímpar nem pedra-papel-e-tesoura, mas gostaria de ter a forma da individualidade como cada nota musical que formula seu tom entre sustenidos e bemols.
Não me agrada reinventar um computador, tão eficiente que desvela problemas que não existiam antes de sua aparição, mas engenhar um solucionador de problemas seria bom. Talvez tão bom quanto um recarregador das baterias de um sorriso.
Também não quero ser preto claro ou branco escuro, ter cor do nada ou cor de tudo. Me agrada o círculo cromático completo, com seus inversos e complementares.
Acho difícil criar a fórmula da eternidade ou algo que nos faça viver para sempre. Talvez eu invente algo eterno enquanto viva, que viva e dure eternamente.
Porém tenho medo de um dia não conseguir ser grande, de não saber ser grande ou descobrir que um dia fui grande e não sabia.
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